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03/09/2009 - 10:07

A obra do imortal Fernando Collor de Mello

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Ex-presidente cassado do Brasil e atual senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor de Mello acaba de se tornar imortal. Ele foi eleito ontem o mais novo membro da Academia Alagoana de Letras. Ele não tem livros publicados, mas apresentou em sua candidatura discursos e artigos publicados em jornais.

Entre os títulos apresentados estão “Brasil: um projeto de reconstrução nacional” e “Relato para a História: a verdade sobre o processo de impeachment”.  Este último é a transcrição de seu primeiro discurso na volta ao Senado, feito em 17 de  março de 2007. O discurso começa assim:

” Os episódios que aqui vou rememorar obrigaram-me a padecer calado e causaram mossas na minha alma e cicatrizes no meu coração. Se o sofrimento e as injustiças provocam dor e amargura, podem também nos trazer úteis e até proveitosas lições. Ambos nos ensinam a valorizar a grandeza dos justos e a justiça dos íntegros. As agruras terminam retemperadas pela lealdade dos amigos e pela solidez das verdadeiras amizades.”

Depois segue em mais 97 páginas, que estão disponíveis no site do Senado Federal. Alguns trechos:

“Nos momentos mais dramáticos desse processo, pude ponderar sobre os fastos de nossa história política, recordando a abdicação imposta a D. Pedro I, a deposição e o exílio de seu filho e sucessor, D.Pedro II e o desencanto que levou Deodoro a renunciar à presidência da República que ele proclamou. Por minha mente, perpassaram a deposição e a extradição de Washington Luís, o suicídio do presidente Vargas, o impedimento declarado sem processo pela Câmara de seu sucessor Café Filho e do substituto Carlos Luz. Recordei-me da renúncia de Jânio Quadros e da ação que depôs João Goulart e lhe impôs o exílio em que faleceu. E com isso, Senhor Presidente, pude concluir como os atos de força tornaram-se quase uma rotina periódica de nossa história política.” (Página 5)

“A falsidade, Senhor Presidente, sempre foi um recurso condenável e deletério, lamentavelmente utilizado na política brasileira, com maior ou menor freqüência, segundo os interesses nela envolvidos.” (Página 11)

“Hoje, posso virar definitivamente aquelas páginas doídas de minha vida pública e, finalmente, invocar o personagem Marco Antônio, na peça “Julio César”: “I come to bury Cæsar, not to praise him”. Como ele, Senhor Presidente, Sras. e Srs. Senadores, não vim lastimar o passado. Vim para sepultar de vez essa dolorosa lembrança.” (Página 96)

Candidato único à vaga deixada pelo médico Ib Gatto Falcão, Fernando Collor de Mello recebeu 22 dos 30 votos.

Em seu período como presidente, de 15/3/1990 a 02/10/1992, Collor tinha formas mais suscintas de passar seu pensamento. Ele usava camisetas com frases de impacto, como “Drogas, Independência ou Morte”, “Samambaia, aqui plantamos a vida”, “Quem é que vai pagar por isso?” e “Não fale em crise. Trabalhe”.

Será que Collor também mostrou para os imortais da Academia Alagoana de Letras as suas frases de camisetas?

A lista completa das frases das “camisetas colloridas” você confere aqui.

Autor: - Categoria(s): Baú, Bizarro, Cotidiano, Jornalismo, livros Tags: , , ,
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