Publicidade

Publicidade

08/03/2010 - 20:09

As mulheres e as propagandas machistas

Compartilhe: Twitter

Desde 8 de março de 1975, quando o Dia Internacional dos Direitos da Mulher e pela Paz foi criado pela ONU, muita coisa mudou — para melhor. Mulheres viraram árbitras de futebol, líderes de empresas, ministras de Estado, e até — quem diria — presidentas. (“presidenta”, aliás, é uma palavra que está nos dicionários.)

Mas, nos idos da década de 1960, a mulher era tratada de forma inferior ao homem. O mais impressionante é que isso acontecia sem que ninguém se desse conta. Ou, pelo menos, sem que ninguém achasse ruim. Bons exemplos de como  as mulheres eram tratadas naquela época estão nas propagandas. “Caso sua mulher venha a bater em algo com o seu Volkswagen, isto não lhe custará muito”, brada aos quatro ventos um anúncio da marca de carros.

Já a marca de uísque Royal Label Extra elenca os objetos que “250 homens de experiência” puderam escolher para fazer uma propaganda da bebida. Entre um cachimbo Dunhill, uma pistola de duelo e uma garrafa do uísque, está “uma linda morena”. Mas, a mulher é considerada  um objeto igual a  bebidas, armas e tabaco? Em 1968, sim. No final da propaganda, eles garantem: dentre os “250 homens de experiência”, “não houve aquele que deixasse Royal Label Extra para terceiro lugar”. Esse anúncio parece ser o tataravó das atuais propagandas de cerveja com mulheres na praia…

E nem só nos anúncios direcionados ao público masculino estava o machismo. A confecção Berta, que vendia roupas para mulheres, não ficou atrás com uma propaganda veiculada em 1968. Em letras garrafais, a peça diz: “A nova coleção Berta para o verão é capaz de virar a cabeça de qualquer mulher sensata”. Até aí tudo bem, mas vem o arremate: “E seu santo terá que ser muito, muito forte para evitar que você se transforme numa mulher insensata: a mais feliz do mundo!”. A dúvida é se toda mulher feliz é insensata  ou a compradora da Berta se transformará na mais feliz das insensatas.

Os congeladores Prosdócimo escolheram bem o público-alvo: mulheres. “A senhora sabe quando é que se serve feijoada na casa da Dona Aurora?” A resposta vem em seguida: “A qualquer hora!”. Anúncios de geladeiras, fogões e eletrodomésticos eram veiculados apenas a mulheres (pelo visto, isso ainda não mudou totalmente).

Se você acha que a publicidade bizarra ficou para no passado, se enganou! Conheça o livro “As Impublicáveis Pérolas da Propaganda“.

Autor: - Categoria(s): Baú, Propaganda Tags: , , ,
Voltar ao topo