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22/09/2009 - 07:07

Que falta faz um Belfort Duarte!

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No último sábado, o árbitro Charles Hebert Cavalcante Ferreira validou um gol totalmente irregular na partida entre Paraná e Ceará, pela série B do Campeonato Brasileiro. Ao receber um cruzamento, o atacante Wellington Silva, do Paraná,  esticou a mão e colocou a  bola dentro do gol, garantindo a vitória do Paraná sobre o Ceará por 1 x 0. A atitude do juiz provocou a fúria dos jogadores e houve até briga no final do primeiro tempo. O árbitro e a auxiliar que não viram o lance foram suspensos pela CBF.  Mas… e o Wellington Silva? Fico imaginando se, ao chegar em casa depois do jogo, ele recebeu os cumprimentos dos pais. “Mamãe está orgulhosa do gol  que você fez com a mão, filhinho. O importante é mesmo levar vantagem em tudo”.  Quando encerrar sua carreira, daqui a muitos anos, o jovem Wellington ainda será lembrado por esse gol.  Será que ele terá orgulho de contar essa história para seus filhos?

Desde o célebre  gol com “La Mano de Díos”, que o argentino Maradona “inventou” na Copa de 1986, parece que ganhar roubado virou uma coisa  exemplar. Não falo de lances polêmicos, de erros de interpretação de arbitragem.  Não. No lance de sábado, Wellington Silva deveria ter parado o lance e ter pedido desculpas.  Não dá para dizer que o Wellington enfiou a mão na bola sem querer, né?

belfort

Tal situação provocaria arrepios em um jogador conhecido pelo seu cavalheirismo. Nascido no dia 27 de novembro de 1883, o maranhense João Evangelista Belfort Duarte era um verdadeiro “gentleman” dentro e fora dos campos. Além de ter sido responsável pela tradução das regras do futebol do inglês para o português, Belfort Duarte acumulou as funções de capitão, técnico e dirigente do América Futebol Clube (RJ).

Apesar de toda a tranquilidade nos gramados, por ironia do destino, Belfort Duarte morreu de forma violenta, assassinado no seu aniversário de 35 anos, em 1918.

Em 1946, o Conselho Nacional de Desportos criou  o Prêmio Belfort Duarte. Naquela época, o prêmio era concedido aos atletas que ficassem 10 anos sem receber punições e tivessem um “atestado de bons antecedentes”. O prêmio concedia uma medalha de ouro para os atletas amadores, medalha de prata para os profissionais e credenciais de livre acesso a todos os estádios brasileiros para os jogadores agraciados com o títulos. Foi extinto em 1981.

O primeiro jogador profissional a receber a medalha foi o jogador do Coritiba, Antonio Mota Espezim, em junho de 1948. Jogadores como Jayme de Almeida, do Flamengo, e Telê Santana, do Fluminense, também foram premiados pelo comportamento exemplar em campo.

Jogadores bem-comportados voltaram a ser homenageados em 2008, quando o prêmio foi recriado e teve suas regras reformuladas. Agora, o prêmio é dado para o jogador do Campeonato Brasileiro que cometer menos infrações ao longo da competição.

O primeiro vencedor da nova edição do prêmio foi o meio-campista do Vitória  Ricardinho, que fez apenas 7 faltas em 25 partidas e não recebeu nenhum cartão ao longo do Campeonato Brasileiro.

Ricardinho ou Wellington Silva: qual deles terá mais orgulho de sua biografia no futebol?

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
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